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Precisamos falar sobre eles, os álbuns de formatura

Precisamos falar sobre eles, os álbuns de formatura

 

Por Rodrigo de Pádua
Com colaboração de Ludmila Vieira

Quem mora nessas terras sofre um abuso por dia. Seja na conta de luz com 50% de imposto, seja no valor da aposentadoria derretida pelas fórmulas obscuras do governo ou, ainda, no cancelamento da sua passagem aérea porque alguém pagou mais caro por ela. Mas estranho mesmo é quando a própria vítima escolhe passar pelo tormento.

E é mais ou menos isso o que acontece quando os até então felizes formandos têm que comprar seus álbuns de formatura. Passada a euforia da festa, agora se veem reféns de um fornecedor único, por eles próprios escolhido, que os obriga a pagar 5, 10, 15 mil reais pelos seus coloridos álbuns... os mesmos que serão exibidos para algumas tias e logo esquecidos no alto do armário por décadas.

Pesquise no Google e você vai ver que o fotolivro mais caro da internet brasileira custa 500 reais (já com estojo) e a revelação em papel fotográfico Kodak, de 40 fotos 20x30, mal chega a R$ 200,00. Acrescente mais R$ 100,00 pelo trabalho do fotógrafo e do editor por formando, e o total seria algo como R$ 800,00. Nada minimamente perto da roubalh dos preços habitualmente praticados.

Se o formando pagar um fotógrafo particular, comprar um convite pra ele entrar no baile e colocar as fotos no melhor álbum à venda, tudo não ficaria por mais que 2 ou 3 mil reais. Mas nem pense nisso, porque os contratos de formatura vêm com cláusulas proibindo a contratação de fotógrafos pelos graduandos e inclusive vedando a simples utilização de boas câmeras durante a colação ou baile. Sim, é sério.

Na internet, há relatos de gente submetida a revista pessoal e cujas máquinas foram confinadas à força no guarda volumes da festa. Alguns se socorreram do judiciário para poderem tirar fotos de suas próprias formaturas. Veja o link da notícia aqui.

Cláusulas contratuais nebulosas, comissões de formatura que não sabem negociar, formandos indiferentes aos contratos que estão assinando, oportunismo covarde das empresas realizadoras e pais tomados de vaidade me parecem que são os principais fatores que criam esse cenário lamentável. Afinal, não custava nada discutir o valor das fotos antes de assinar a papelada. Regrinha da vida, na verdade.

Pra complicar ainda mais, em alguns casos os cadernos de fotos são confeccionados independentemente de haver encomenda. Surge então outro incentivo para que os preços sejam jogados nas alturas, e quem comprar vai acabar pagando também pelos encalhados. Na minha cidade, dezenas foram encontrados no lixo (link).

Veja que algumas empresas de eventos já desenvolveram técnicas avançadas de venda, que incluem:

1) informam para as comissões que o serviço de fotógrafo será oferecido "gratuitamente", sem dizer, claro, quanto será cobrado em cada álbum;

2) não passam informação de preços por telefone. Ao invés, mandam um funcionário à casa dos pais do formando, já exibindo sedutoras imagens (ou o álbum completo);

3) ameaçam fazer o descarte imediato de todas as fotografias que não forem compradas ali no ato. Às vezes pedem para que seja assinado um termo de concordância;

4) forçam vendas casadas obtusas, estabelecendo um número mínimo de fotos no álbum e recusando-se a negociar apenas o pen drive com os arquivos ou o DVD das filmagens (quase sempre um pastelão). Com sorte, fazem as vendas separadas mas com diferença mínima em relação ao preço cheio. Fotos avulsas? Nem pensar;

5) "facilitam" a venda pro cliente, dividindo a fortuna paga em 12 vezes.

No caso de um conhecido, o funcionário da empresa viajou espantosos 350 km pra isso. Saiu com 7 mil na conta.

Diferente dos infortúnios que sofremos por força de lei, esse é um que poderia ser evitado, bastaria começarmos a dizer "não". Mas, estranhamente, é aceito como uma verdade inquestionável. Espero que nossos netos não tenham que passar pela mesma coisa.

 

Rodrigo é servidor público e Ludmila, advogada.

30 / Jan / 2019
PÁDUA, Rodrigo de; VIEIRA, Ludmila

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Comentários

Rodrigo

05/Fev/2019

Caros leitores,
Agradeço a participação de todos. Mal sabem vocês como são importantes os comentários! Seja para compartilhar experiências, seja para fazer uma crítica ou elogio.
Sr. Chancho, não que me coloque à sombra do gênio, mas Da Vinci já nos disse: "A simplicidade é o último grau de sofisticação". As prateleiras mentais do autor, ainda com produtos a preço vil, estão sempre com esse norte.
Cimara, sua experiência foi um veio de ouro para os leitores. Vejo que usaram o "roteiro" de forma muito parecida com o que eu descrevi. Obrigado!
Fernando, espero que o texto ajude os futuros formandos a se livrarem dessas amarras!
Veronice, concordo com você. É justamente nesse momento de maior entusiasmo que as empresas agem com maior ganância. Os pais se vêem obrigados a gastar uma pequena fortuna pelos álbuns ou abrir mão da compra e sentir que estão deixando o momento "passar em branco". Uma pena.
Abraços!

Chancho

03/Fev/2019

Lições de sabedoria, com a mais alta densidade, ainda assim de simples assimilação. Eis a característica dos venustos estudiosos da intelectualidade: simplicidade genial.

Se lições tais fossem postas à venda, certamente não sairiam das prateleiras mentais do autor por menos do que o valor de um álbum de fotografias de formandos.

CIMARA DA SILVA VIEIRA

01/Fev/2019

Primeiramente , parabéns pela notória explanação. Realmente li a perfeita descrição do que verdadeiramente ocorre.Recebi o fotógrafo em casa com um brilhante álbum e um exagerado preço. Eu,mulher vaidosa, obviamente me vi apaixonada pelas fotos. Sem a maturidade da vida de \"adulta\" por ser ex estudante, fui ganhada pela lábia dos vendedores. Hoje tenho um trambolho no meu guarda roupa acumulando poeira e seduzindo traças. Em plena tecnologia do século XXI com celulares de ótima resolução, creio ser um serviço completamente dispensável. Primeiro que dificilmente alguém revela fotos hoje em dia .Segundo que se for revelar, pega uma e pronto.Ter fotos idênticas mudando apenas o ângulo em questão num país com crises de todos os tipos , sugiro ser menos supérfluo. Novamente, se eu pudesse voltar atrás , jamais compraria as fotografias. Teria investido meu dinheiro em algum curso de capacitação.Parabéns pela produção Rodrigo e Ludmila.Espero que este texto alcance os futuros públicos alvo

Fernando Ádamo

31/Jan/2019

Parabéns pelo artigo! Bem interessante o tema e, de fato, todo formando passa por essa situação.
Abraço

Veronice Maria da Silva

30/Jan/2019

Esta é aquela enganadora lei da procura e da oferta ,infelizmente a maioria resolvi e os outros para não se sentirem diminuídos ou até mesmo coagidos aceitam também.Os pais pela euforia de verem os filhos formando não pensam nas consequências e pagam qualquer preço pelos seus próprios sonhos ,porque o que eles não conseguiram eles transferem para os filhos.E aí vem o maior erro o que eu não tive vou dar para o meu filho,então ninguém vai preocupar com o preço porque nem os filhos nem os pais querem ficar por baixo.Atualmente o que manda são status ,bens materiais, quanto mais caro melhor.Não importa quantas parcelas ,os juros ,como você vai pagar o que interessa é que o seu filho vai ter o álbum de formatura.Abraços ,felicidades!!!